terça-feira, 4 de agosto de 2009

Hoje apanhei o 36

E vocês dizem:
- Mas isso é perfeitamente normal, quem trabalha em Lisboa, mora em Odivelas e não tem carro, quando vai para casa ou vai de metro ou apanha o 36 da carris.
E eu digo:
- Pois, é tudo verdade mas eu não estou no trabalho e muito menos vou para casa, e se fosse apanhava o metro.
O que me estava a referir é que hoje, ao descer o Uluru, na parte mais inclinada onde normalmente quase toda a gente vai ou agarrada à corrente de apoio ou mesmo com o rabo no chão avançando muito devagarinho. Ia eu calmamente a descer e a apreciar a magnífica vista seguido de perto por uma Australiana completamente aterrorizada com a possibilidade de cair, que ajudámos a subir e depois a descer, logo seguida pela Joana, quando de repente oiço alguém muito perto nas minhas costas a escorregar.
Olhei por cima do meu ombro direito, vi a australiana sentada no chão (como quase sempre) e logo atrás, a passar do lado esquerdo da Joana a grande velocidade, um senhor com uma camisola rosa e um chapéu branco.
O homem vinha a esbracejar como se quisesse levantar vôo e já com a cabeça à frente do resto do corpo. Ocorreu-me logo que ele não ia conseguir voar, apesar de vir com uns phones nos ouvidos e possivelmente estar a ouvir aquela música do Seal “I belive I can fly”.
Instintivamente, e talvez inconscientemente, rodei pelo lado esquerdo, deitei a mão esquerda à corrente de apoio que não estava muito longe e com a mão direita consegui agarrar o braço do “homem pássaro” e puxá-lo para perto da corrente atirando-o ao chão.
Um segundo mais tarde e já não o agarrava e se tivesse largado a corrente íamos os dois.
Para quem viu deve ter parecido uma coisa encenada, tipo animação local patrocinada pelos aborígenes, mas não foi.
De facto, eles pedem para ninguém subir por ser um lugar sagrado e ser muito perigoso, mas os ocidentais não ligam e sobem na mesma.
Como já morreram 35 pessoas a subir e descer o Uluru, daí que eu diga que apanhei o 36, porque, eu e quem viu, temos quase a certeza que ele morria mesmo.

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