sexta-feira, 28 de outubro de 2011

El Caminito

Buenos Aires é uma cidade grande e moderna e apesar de ter as suas atrações, estar cheia de locais carregados de simbolismo para os argentinos, com as datas das revoluções e o nome dos revolucionários sempre em destaque, parece ser muito cinzenta e um pouco suja. No entanto, no bairro La Boca, talvez por ser mais turístico, é tudo muito colorido.
Apesar de casas muito antigas, na sua maioria de madeira com telhas de zinco, as mesmas estão bem arranjadinhas e é um lugar bonito e aprazível. Mas, à medida que nos afastamos do centro e das duas ruas principais, as coisas vão se alterando e transformando-se. O colorido vai-se esbatendo e tudo vai sendo cada vez mais degradado.
Nos restaurantes do centro, o Tango toma conta dos passeios para deslumbre dos turistas que desfrutam de suculentos nacos de carne grelhada nas esplanadas dos mesmos.
Também se pode aprender uns passos de tango ou tirar fotos com sósias do Maradona, o famoso clube argentino Boca Juniores é deste Bairro e foi aqui que o Maradona começou.

domingo, 23 de outubro de 2011

O Mistério das Linhas de Nazca

Ir ao Peru e não sobrevoar as misteriosas linhas de Nazca, seria para mim impensável.
O mistério por detrás destes enormes geoglifos, que nas últimas décadas alimentaram a imaginação de muitos. Associado ao meu gosto e desejo de voar, fez-me deslocar até esta pequena cidade a sul de Lima e embarcar num pequeno avião. Foram 35 minutos de puro prazer onde me deliciei com a paisagem e os mistérios marcados no chão e que nem o tempo nem o homem (ainda) conseguiu apagar ou decifrar.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Keep Peedeling


Se algo levo das minhas viagens é sem dúvida as historias de vida de pessoas que conheci nos vários locais por onde passei.
Sinto-me mesmo privilegiado porque em todos eles me aparece sempre alguém.
Deixo aqui um post que escrevi na Austrália quando revi um "Velho" amigo.
"Desde que estou na Austrália, tenho sempre estado com amigos de longa data, novos amigos que fiz e outras pessoas que encontrei na vida.
Uma dessas pessoas, o Bob, um senhor que conheci quando passei na China que tem 80 anos. 
E 80 anos de uma vida cheia!
Fui jantar com ele e com a Cathy, uma amiga australiana na casa de quem estou hospedado.
O jantar, em Mount Lofty, regado com um bom vinho (Cabernet Sauvignon Merlot Petit Verdot) e iguarias também elas muito boas, foi recheado de muita conversa e coisas que aprendi!
Estaria e ficaria horas infindáveis a ouvir o Bob, que apesar de nunca ter aberto sequer um computador, tem mais memória que o meu!
A esposa dele morreu há 6 anos, tendo ele ficado sozinho. Mas nem por isso deixou de continuar em frente e a viver. Viaja muito e já percorreu os quatro cantos do mundo.
Tanto ele como um outro amigo que fiz em Kochi na Índia, o Ferdinando, me fizeram lembram de um post que escrevi no meu blog ao fazer a minha 20ª Travessia do Atlântico, estava a regressar de Buenos Aires para Lisboa após visitar um dos lugares mais bonitos do planeta "a Patagónia". 
Nesse post fiz menção a um poema de José Luiz Borges – Instantes:

Se eu Pudesse viver novamente minha vida, na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais.
Seria mais tolo ainda do que tenho sido, na verdade bem poucas coisas levaria a sério.
Seria menos higiénico. Correria mais riscos, viajaria mais, contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas, nadaria mais rios.
Iria a mais lugares onde nunca fui, tomaria mais sorvete e menos lentilha, teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.
Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e produtivamente cada minuto da sua vida; claro que só tive momentos de alegria.
Mas, se pudesse voltar a viver, trataria de ter somente bons momentos.
Porque, se não sabem, disso é feito a vida, só de momentos, não percas o agora. Eu era um desses que nunca ia a parte alguma sem um termómetro, uma bolsa de água quente, um guarda chuva e um pára-quedas; se voltasse a viver, viajaria mais leve.
Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço no começo da primavera e continuaria assim até o fim do outono.
Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças, se tivesse outra vez uma vida pela frente.
Mas, já viram, tenho 85 anos e sei que estou morrendo.

Jorge Luiz Borges
 
Bem, lembrei-me disto porque acho que quer o Ferdinando, quer o Bob, algures nas suas vidas devem ter lido este poema …só pode!
Tenho escrito alguns dos meus posts sobre as pessoas que vou conhecendo e que me tem ensinado e mostrado algumas coisas que sei irão ser úteis para a minha vida. 
E esta é mais uma delas.
O Bob olha em frente, vive o hoje “como se não houvesse amanha”, vive cada dia!
(...) De qualquer forma quero deixar-vos aqui um lema, o lema de Bob:

Keep Peedeling!

E vou continuar e em frente! Que em frente se faz o caminho!"