domingo, 26 de dezembro de 2010

Prioridades

Após dois meses a viajar na Índia, ainda não consegui perceber com que regras de transito eles se organizam no meio de tanta confusão. O que é certo é que a taxa de acidente é muito baixa no que diz respeito a colisões entre carros ou outros veículos. A maioria deve-se às más condições dos veículos e das estradas.
Eles lá se entendem e dá sempre para passarem todos. Vão buzinando como se não houvesse amanha e ajeitam-se uns para aqui outros mais para ali.
Curioso não deixa de ser a resposta que tive quando perguntei a um amigo, letrado de boas famílias, um grande carro e que conduz até bastante bem para indiano.
“Nas rotundas, quem é que tem prioridade?”
Ele após pensar uns segundos respondeu:
“São as vacas!”
Hoje nos meus passeios pela praia quase deserta, reparei num casal que estava sentado debaixo de um chapéu de sol amarelo muito comido pelo sol. À segunda passagem pelo casal achei que havia algo estranho. À terceira passagem, apercebi-me do que estava errado. 
A senhora estava sentada a olhar para o mar com um grande sorriso, mas estava a sorrir para o mar já fazia mais de uma hora!
Ao aproximar-me, desta vez olhei mesmo directo para tamanho sorriso e para meu espanto a dita não estava nada a sorrir. Simplesmente, a pobre, tinha uns enormes dentes no maxilar superior que não lhe cabiam na boca.
Estes saiam para fora dos lábios uns bons 4 a 5 cm. Imaginei logo como será que o marido a beija? Possivelmente primeiro vai ao lábio de baixo e posteriormente ao de cima e com muito cuidado, não vá a senhora ter um ataque de espirros e arrancar-lhe metade da boca.
Se o mundo acabasse à dentada, esta senhora certamente era das últimas a ser eliminada.
No mínimo ia aos oitavos de final!
Foi só um desabafo.

sábado, 25 de dezembro de 2010

A melhor vista do Kremlin

Tinha me esquecido de mostrar aquela que para mim é a melhor vista do Kremlin.

Alfacinhas Indianos

Para quem não sabe, os Alfacinhas são os transportes escolares da CML. Não é Dr. Paulo?

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Kerala - God's Own Country

Não é à toa que dizem que Kerala é a terra de Deus!
 
 Aqui há homens que andam na água. E isto não é o Mar Morto!
As paisagens são magnificas e o sossego é muito.
É um paraíso!

domingo, 19 de dezembro de 2010

Pequenino mas com umas Grandes Rodas

Pode não parecer, mas este canhão protegia o Forte de Jhodpur das forças inimigas!
Assim como os Homens, também os canhões não se medem aos palmos!

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Curioso

Em Srinagar – Kashmir, quando se sai da cidade em direcção às montanhas, por todo o lado se vêem grandes fardos de palha secos cuidadosamente arrumados nos galhos das árvores, lá bem acima do chão. Os primeiros passaram despercebidos mas ao fim de uns kms reparei que quase todas as árvores tinham palha lá em cima.
Ora, não conheço nenhuma árvore que dê palha.
A razão é muito simples, se calhar faz-se em muitos locais não sendo novidade para muita gente, mas eu nunca tinha reparado.
Aqui, no Inverno a neve chega a atingir mais de dois metros de altura, deixando cobertos por completo todos os campos, a distância para um outro pasto em condições para os animais não é viável e ração é muito cara.
Assim, todas as famílias no verão levam os animais a pastar longe nas montanhas e deixam crescer os pastos que são mais perto de suas casas. No Outono, cortam essa palha e guardam em cima das árvores onde a neve não chega, para alimentar os animais durante o Inverno.
Mas o tempo está a mudar e até aqui a neve chegou mais cedo este ano.
Inexplicavelmente nevou aqui tanto há duas semanas atrás que ficou tudo intransitável. O que segundo, me disseram não é nada normal.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

“Joho”

 Os Rajputs levavam muito a sério o seu código de honra “Vencer ou Morrer”, para as mulheres o código tinha o mesmo efeito “Antes a morte que a desonra”.
Por todo o Rajastão várias vezes se executou esta mesma cerimónia, por vezes com nomes diferentes.
Os fortes Rajputs eram praticamente impenetráveis, por isso os inimigos que queriam conquistar estas cidades, muitas vezes cercavam-nos durante longos períodos de tempo, que chegavam a ultrapassar os vinte anos.
Quando acabavam os mantimentos e a água, renderem-se não era opção, antes dos homens executarem o “Suka”, como expliquei no post anterior, e todas as mulheres da cidade não admitiam cair nas mãos dos inimigos. Preparavam-se durante a noite, embelezando-se com os seus vestidos de seda e as jóias mais caras, e de manhã ao som dos tambores caminhavam para a grande fogueira.
Iriam encontrar os seus maridos no Além dentro de poucas horas.
Após o “Joho” os homens partiam para a batalha final.
Em Jaisalmer aconteceram dois “Joho” e meio. Ficou assim definido para a história, porque em 1550, após um cerco da cidade durante vários anos, as forças invasoras conseguiram penetrar no Forte.
Não havendo tempo para preparar o “Joho”, não tiveram alternativa.
Os homens cortaram a garganta de suas mulheres, irmãs e filhas antes delas caírem nas mãos dos inimigos. Depois morreram combatendo.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Forte de Chittorgarh

Em Chittorgarh, ergue-se no alto do monte aquele que é o maior forte em todo o Rajastão. Aqui foi outrora a capital dos Mewar, antes de Maharana Pratap Singh fundar uma nova em Udaipur.
Estão parcialmente destruídos os palácios interiores, por inúmeras batalhas, mas as grandes muralhas nunca foram ultrapassadas. Nem mesmo na última que aqui ocorreu em 1568, onde o Imperador Mughal, Akbar, derrotou o exercito Mewar.
Após esgotada toda a água e alimentos decorrentes dos vários anos de cerco da cidade pelas forças Mughals, os soldados, seguindo o Maharana Udaisingh, e o código de honra Mewar “Vitória ou Morte”, antes desta acontecer pela fome, executaram o “Suka”.
Durante a noite vestiram as suas roupas de combate compostas por fatos brancos e o turbante cor de açafrão, colocaram as armaduras e nos primeiros raios de sol abriram os portões e saíram a galope nos seu cavalos negros ao som dos tambores e da flauta Turi.
A esta cerimónia chamavam o “Suka” ou Última Batalha, tinham como objectivo matar o maior número de inimigos antes da morte.
O que faziam as mulheres Mewar nestas situações, conto noutro post.
O código de honra dos Rajput é o mesmo para os homens e suas mulheres,  mas o destino delas era ainda mais arrepiante, corajoso que dos seus maridos.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Cavalo herói

Chetak era o cavalo favorito do Maharana Pratap.
Durante a terrível Grande Batalha de Haldighati, apesar de muito ferido, cavalgou veloz conduzindo o Maharana até um local seguro. Onde poucos minutos depois, para grande tristeza de Pratap, acabou por falecer.
Tornou-se assim um herói para o Clã dos Rajputes da Casa Sisodia de Merwar com direito a estátua em Moti Magri no memorial de Pratap.
 

Os Mewar

 
O Brazão dos Mewar do Clã Sisodia é uma cara de sol com um bigode.
Defendiam que eram os descententes do Sol.