04 agosto 2009

Uluru

No meio do deserto, nas terras dos Anangu, existe uma rocha enorme que, não sei de onde e como, apareceu assim do nada. Mas o que interessa é que é magnífica. É a segunda vez que tenho a oportunidade de a ver e subir ao seu topo.
É um lugar sagrado para os Anangu e sempre que morre alguém na tribo isto fecha para que se possam realizar as cerimónias fúnebres, aqui as mulheres também não podem subir, ficam lá em baixo à espera.
Os Anangu pedem para que as pessoas não subam, por ser sagrado e por ser muito perigoso, já morreram trinta e cinco pessoas que escorregam e só param lá em baixo com as únicas consequências possíveis a uma queda desta altura. Mas são muitas as que sobem. Não por muito tempo, pois os aborígenes chegaram a um acordo com o governo australiano e a partir de Outubro acabam-se as subidas, vai ser fechado ao público. Só mesmo para ver.
Aproveitei para subir novamente e disfrutar da paisagem e da serenidade do lugar.
Lá de cima não há palavras para descrever o que se sente ao ver o horizonte depois de uma subida a pique de quarenta e cinco minutos.

Pitjantjatjara e Yankunytjatjara

Pertencem a um longo grupo de duzentos e cinquenta dialectos, chamados western Desert Dialects, estes dois são ainda hoje utilizados pelos Anangu.

Linguagem gestual

Os Anangu, para comunicar, utilizam muito a linguagem gestual.
Para comunicar à distância, por razões óbvias, e por não ser permitido a todos dentro da tribo falar sobre todos os assuntos.
Existem coisas sobre as quais só os sábios podem falar, usando a linguagem gestual eles não estão a falar sobre aquilo que não podem, nem a proferir palavras a eles proibidas.

Olgas

Kata Tjuta, em Anangu significa muitas cabeças é um conjunto de rochas muito altas, um miil-miilpa ngura (lugar sagrado) ainda mais sagrado que Uluru, aqui os Anangu fazem as suas cerimónias e rituais. É tão sagrado que as mulheres não podem entrar, ficam longe à espera. Eh, eh, eh!
De longe, um nascer-do-sol muito bonito, com o horizonte e as rochas a mudarem de cor a cada minuto que passa, desde o negro quando ainda noite até ao vermelho vivo quando o sol incide com bastante força.
Depois, mais de perto, um passeio entre as rochas onde, apesar do frio que se fazia sentir, corria uma corrente de ar forte e quente. Provavelmente aquecido ao passar nas rochas que mantêm o calor que absorvem do sol.

03 agosto 2009

Tju Kurpa

É a lei que todos os Homens têm de seguir, é a base da vida dos Anangu e explica a relação entre pessoas, animais, plantas e terra. Marca a criação de todas as criaturas e paisagem e explica aos Anangu a maneira correcta de se relacionarem entre eles e com o ambiente.
É a lei!

Eu já tinha reparado

Mas não havia nada a fazer, o ponteiro da gasolina estava no mesmo lugar à muitos quilómetros e não descia.
Só podia ser uma de duas coisas, ou estava avariado ou era um milagre sabe-se lá de que Deus (são tantos por aqui), que estava a nosso favor e queria que poupássemos uns $.
A pior das duas veio a verificar-se antes que aparecesse uma estação de serviço.
O pior é que estávamos no meio do deserto e carros a passar são escassos.
Finalmente lá apareceu um, deram-me boleia para Ayers Rock, comprei um bidon de plástico, arranjei boleia de volta e safei-me.
Demorou um bocado mas já posso dizer que fiquei sem gasolina no deserto.
Não tem graça nenhuma, e ia-nos fazendo perder o pôr do sol em Urulu e estas fotos que são infinitamente menos belas que aquilo que presenciei.

02 agosto 2009

Teoria

A mim ninguém me tira da ideia que os cangurus não são daqui!
Eu explico, ao longo dos quase cinco mil quilómetros a conduzir, vi mais cangurus mortos à beira da estrada e alguns coxos nos centros de acolhimento que propriamente vivos. Isto, só pode dever-se ao facto de os cangurus ao atravessar a estrada olharem para o lado errado.Ora, se fossem mesmo daqui sabiam que têm de olhar primeiro para a direita e só depois para a esquerda.
Que faz confusão, faz. Eu também já ia sendo apanhado várias vezes, o que vale é que sou sempre salvo a tempo.
As placas amarelas a avisar que eles andam aí é muito gira mas é uma das coisas mais tristes que vejo por aqui, tantos cangurus mortos ao longo da estrada.


Como é que isto pode acontecer?

Realmente, depois de tantos anos, não sei como uma coisa destas pode acontecer.
Tantos anos de experiência não servem para nada, e num abrir e fechar de olhos a tragédia pode sempre acontecer e não há volta a dar.
Se eu não fosse como sou, a coisa resolvia-se.
Mas eu e a minha mania de não estragar!
Hoje de manha ao pequeno-almoço, ao colocar a manteiga na minha torrada amassei-a toda.
Toda a gente sabe que eu detesto as torradas desfeitas.
A porcaria da manteiga estava muito dura, eu ainda estava meio a dormir e distraído e aconteceu.
Podia ter esquecido a torrada e fazer outra, mas a minha mania de não estragar comida.
Há gente que gosta de torradas desfeitas, mas eu não!


Kings Canyon

Duzentos metros de altura o segundo maior Canyon do mundo.
Demorou três horas e meia a subida por um lado, atravessá-lo e descer pelo outro lado.
Imaginem que no meio de tanta rocha e sem ver terra nenhuma, existe um lugar chamado Jardim do Éden.
Demasiado ...... para poder descrever. É vir cá, subir e ver, ouvir e sentir.


Estava lá!


Fomos meter gasolina e o pássaro negro estava lá.

Simpsons Gap


Mais um oásis no deserto.


Serpentine Gorge

É só um grande desfiladeiro em S

Glen Helen Gorge

Aqui é um local muito sagrado, para beber desta água tem de se pedir aos Espíritos, dizendo:
- Espíritos, tenho sede, posso beber desta água?
Em seguida pega-se numa mão cheia de terra e atira-se para a água.
Se a água se mantiver calma é porque foi autorizado. Se, de repente, se sentir vento e as águas se agitarem, significa que os Espíritos não permitem e que nos estão a observar.
Se beberes, os espíritos podem decidir punir-te. Pequenas cobras vêm do outro lado do lago a nadar na tua direcção e entram no teu corpo através da pele.
Depois, apenas os sábios da tribo originalmente proprietária das terras é que as podem expulsar do teu corpo.
Felizmente trouxe a minha garrafa de plástico!

Glen Helen

Death Adder é o guardião da água de Glen Helen. Os Aranda, aborígenes desta área acreditam que há muito tempo atrás, um viajante cansado e moribundo na procura de água encostou-se a estas rochas e desistiu de prosseguir viagem, encostando-se nestas rochas para morrer.
A partir daí, ficou para sempre o guardião deste oásis e a sua imagem está, com um pouco de boa vontade, cravada nas rochas.
Conseguem ver?

Mount Sonder

Nascer do sol, em poucos minutos o céu muda de cor tantas vezes!

01 agosto 2009

De Alice Springs Glen Helen

O primeiro dos quatro dias por estas bandas apenas dá para o trajecto entre Alice Springs (capital do Centro da Austrália) e Glen Helen um pequeno “resort” no meio do nada.

Standley Chasm
Assim chamado em honra da primeira professora europeia que se disponibilizou para ir para o deserto ensinar o povo aborígene.
Foi a primeira a ser autorizada a entrar neste território sagrado.

Ellery Creek Bighole

Ochre Pits
É o lugar sagrado onde ainda hoje os aborígenes vão buscar a “tinta” para realizar as pinturas corporais cerimoniais e artísticas.

Ormisten Gorge
Dá para nadar mas está muito frio.

Glen Helen Gorge com poucos minutos de diferença.


Não sei porque!

Não sei porque dizem que conduzir na Austrália é mais difícil só por ser no lado errado da estrada.
Afinal, é só o facto de: o volante ser do lado direito; quando olhamos para o retrovisor interior, olharmos sempre para a direita e ele estar na esquerda, os carros só terem dois pedais por serem automáticos e cada vez que paramos queremos carregar na embraiagem para o carro não ir a baixo e acabamos por travar com os dois pés com as consequências óbvias de quase sairmos pelo vidro; entrarmos nas rotundas para o lado esquerdo; as ultrapassagens serem pela direita; etc...
Já fiz cerca de quatro mil quilómetros, acho que já me habituei.

Foi relativamente fácil mas também é por eu ser muito esperto.
Agora como peão é que é mentira, para atravessar a estrada olho sempre para o lado errado, o que prova que não fui feito para andar a pé.

É mesmo chato!

Depois do estado de Victoria e após mais uma viagem de avião de três horas, é tempo de visitar deserto australiano no Centro da Austrália.
Aqui não é como em Hong Kong nem na Great Ocean Road, a ligar duas rectas controem uma recta, o que associado ao cruise control, torna a condução verdadeira chatice.

E as estradas parecem não ter fim!

Vale o conforto do Toyota Rav4 quase novo e as vistas, a cada piscar de olhos é uma foto para não dizer um postal, especialmente ao nascer e ao por do sol.